domingo, 5 de maio de 2013

História cachorra.

-- Olha mãe ele está de sapatinhos! Exclama a menina em um misto de encantamento e curiosidade e aponta para o elegante poodle que andava graciosamente parecendo flutuar ao lado de sua, não menos elegante, dona. A mãe da garotinha pensou com um sorriso mal contido nos lábios tal cão, tal dono.
De fato, após séculos de convivência, alguns animais assimilaram algumas características humanas, como comportamento e hábitos. Essa tendência natural mexe com o imaginário afetando as emoções das pessoas fazendo com que as pessoas busquem a companhia dos animais onde depositam confiança, frustrações e alegrias. Essa cumplicidade entre homens e animais faz com que o mercado fique cheio de toda a sorte de produtos voltados para os pequeninos de quatro patas criando demanda para o setor de bichos de estimação.
Profissionais de Marketing trabalham intensamente na busca de novos produtos e/ou serviços que atendam a essa demanda que não para de crescer. O problema para esse público ávido por novidades para os seus animais de estimação são as Organizações Não Governamentais que nasceram para fazer valer os direitos daqueles que não tem voz ativa para reclamar de quaisquer maus tratos sofridos.
 “A Lei 9.605, de 12-12-98, transformou em crimes os maus tratos a animais, sejam eles domésticos, domesticados, exóticos ou silvestres.”
Infelizmente algumas dessas ONG’s incentivadas pela legislação, encorajadas pela passionalidade popular e com a publicidade da mídia procedem a uma espécie de caça às bruxas na versão moderna do politicamente correto. Sem checar a veracidade dos fatos, algumas organizações convocam a população através das redes sociais para resgatar uma suposta vítima de maus tratos. Não sei se por amor aos animais ou se pela necessidade de publicidade, mas algumas instituições são tão exigentes que querem que cachorros sejam tratados como pessoas. Eu, particularmente discordo do fato de tratar animais como gente por acreditar que isso não seria “biologicamente correto” e faria mais mal ao animal. O cachorrinho que ilustra o início do texto talvez não esteja querendo flutuar e sim livrar-se daquilo que vai contra a sua natureza.